Última atualização em 24 de fevereiro de 2025 por Júlia Neves
Dia 20 de fevereiro de 2025 estive na última edição do Search Central Live, evento anual do Google que reúne profissionais de SEO e áreas relacionadas para discutir assuntos da atualidade da disciplina.
O evento contou com palestras de profissionais de diversas áreas dentro do Google, como o time do Google Search Console, do Google Trends, entre outros profissionais.
Novidades sobre a busca
A primeira palestra do dia, apresentada pela – muito querida – Cherry Prommawin, abordou as novidades que envolvem o universo das buscas, que quebrei em alguns tópicos:
Impacto dos Core Updates
Quando falamos sobre mudanças nas buscas, o segundo assunto que vem na cabeça (sei que o primeiro é inteligência artificial, mas calma que já vamos chegar lá) é o impacto dos updates nos rankings.
Os updates do Google nada mais são que atualizações nas máquinas para garantir a entrega do melhor resultado possível para os usuários. O Google, como toda empresa, tá sempre testando o que funciona melhor e mantém as pessoas mais satisfeitas.
Só em 2021, eles fizeram mais de 800 mil testes de qualidade nas buscas, o que resultou em mais de 4300 implementações. Algumas dessas, são implementações e atualizações mais importantes, e por isso se tornam updates anunciados, como é o caso dos Core Updates.
O que são os Core Updates então? São atualizações nos motores de busca que visam melhorar a entrega dos resultados para os usuários, e que possivelmente, ao serem implementados, causarão impactos na SERP, favorecendo os sites que focam na qualidade dos conteúdos e em seus usuários.
Um outro update frequente, também noticiado, é o de Spam. Ao contrário dos Core Updates, que buscam beneficiar sites que estão fazendo certo, os Spam Updates realmente vem com o objetivo de remover o que o Google considera spam (como o próprio nome sugere hehehe).
Aqui tá o slide que a Cherry compartilhou na apresentação ⬇️
No fim, a mensagem que eles querem passar é: se você estiver fazendo tudo certo, criando conteúdo de qualidade e útil, focando no seu usuário e seguindo as guidelines do Google, dificilmente sentirá impacto negativo nos rankings ao passar por um update.
Apesar disso, sabemos que com SEO não existe verdade absoluta, e por isso mesmo quando estamos marcando todos os checkboxes do Google podemos ser impactados com a volatilidade da SERP e perder rankings num momento de update. O recomendado é acompanhar as semanas seguintes a um aviso de atualização, analisando possíveis perdas ou ganhos.
IA nas buscas
Se engana quem pensa que a inteligência artificial chegou só agora nas buscas. O Google utiliza Machine Learning nos algoritmos hà 20 anos, e um exemplo claro no nosso dia a dia do uso de IA nas buscas é o RankBrain, algoritmo que começou a possibilitar a compreensão semântica do Google, trazendo resultados muito mais relevantes.
É fato que o AI Overviews vem pra bagunçar nosso dia a dia, mas o que foi mais ressaltado é que, assim como quando surgiram os featured snippets, o AIO tá ali com o objetivo de entregar resultados melhores para os usuários.
Conversei com a Cherry depois da palestra dela e falei que vejo o AI Overviews como um Pokémon evoluído dos featured snippets e ela concordou com a analogia, então o que ficou de recado pra mim foi: precisamos otimizar nosso conteúdo sempre com foco no usuário, independente da maneira como ele vai aparecer nas buscas. E o que o usuário gosta é de conteúdo autêntico, único, verdadeiro.
Um resumo sobre o AIO, na visão do Google, é o slide abaixo:
Podemos até ter uma redução nos cliques, mas o objetivo, com o AIO, é que os cliques sejam muito mais qualificados, atraindo o público certo para o seu site.
O Google pode distinguir conteúdo humano do conteúdo de IA?
Uma das perguntas que foi respondida no evento foi relacionada ao impacto dos conteúdos escritos por IA vs. humanos.
A resposta deles continua girando em torno dos usuários: se seu conteúdo for escrito pensando nos usuários, ele será relevante.
Apesar disso, o que foi falado também (e que eu não poderia concordar mais!) é que uma inteligência artificial nada mais é que uma máquina que consome conteúdos e devolve com base no que já existe.
Logo, dificilmente você vai conseguir, com uma inteligência artificial, um resultado diferente do que já existe por aí. Ela pode funcionar como aliada, mas não como a solução para a sua produção de conteúdo.
Inclusive, os próprios guidelines do Google detalham quais são os 4 pilares de qualidade, mas esse slide foi uma ótima forma de resumir ⬇️
Gemini vs. AI Overviews
Uma novidade que me impressionou, ainda sobre IA, é a forma como o Gemini e o AI Overviews funcionam.
Eles são 2 tecnologias diferentes, apartadas, com motores e regras diferentes. Então, por mais que vejamos ainda algumas alucinações do Gemini, o AI Overviews se utiliza dos fatores de ranqueamento para sugerir um conteúdo, o que faz com que os resultados sejam muito mais seguros.
Google Search Console e Google Analytics
O ponto alto do dia para mim foi a palestra do Daniel Waisberg sobre GSC e GA. Nos últimos tempos, esse tem sido meu maior problema no dia a dia e, trocando com outros profissionais, os dados ficam cada vez mais distantes entre as duas ferramentas.
Dividi entre alguns pontos:
Como usar o Google Search Console e o Analytics juntos
O primeiro ponto que o Daniel destacou foi a diferença entre usuários e sessões, que acho importante trazer como embasamento para falarmos sobre esse assunto: enquanto cada pessoa é considerada um usuário, cada sessão computa a quantidade de vezes que os usuários acessaram o seu site.
Trazendo o próprio exemplo dele: se uma pessoa te encontrar e clicar em você 5 vezes no Google, essa pessoa contará como um usuário e 5 sessões.
Em se tratando de SEO, o Daniel também afirmou que as métricas do Google Search Console são muito mais acuradas, visto que são dados do próprio Google sobre a busca. O que, é claro, não significa que você não deva acompanhar também o Analytics, eles são ferramentas complementares na análise de dados.
Discrepância entre GSC e GA
É muito comum você olhar seu número de cliques e as sessões do seu site, nas duas ferramentas, e se perguntar: o que tá rolando aqui? E se você já passou por isso, existem algumas validações que você pode fazer para garantir que tá tudo certinho nas ferramentas.
Problemas do GA
No Google Analytics, o Daniel trouxe que dados divergentes podem estar relacionados a 4 principais motivos:
- Problemas de implementação
- Cookies ou tags bloqueados
- Diferença de fuso horário
- Modelos de atribuição (fist click, last click, etc).
Se você acha que tem algo errado, compartilha com seu time de Analytics esse artigo pra eles começarem a investigação por esses pontos 😉
Problemas no GSC
No Google Search Console, os problemas na forma de medir podem estar relacionados a:
- URLs canônicas
- Detalhamento do tipo de pesquisa
- Páginas não HTML
- Exclusão de tráfego de bot
Se seu GSC tem menos cliques que o número de sessões no GA, muito provavelmente o que acontece é que o GSC limpa o tráfego proveniente de bots, por isso os dados tendem a ser mais corretos.
Além disso, URLs canônicas podem interferir na contabilização de cliques por página, então se você tiver o caso de uma URL canônica, pode ter alguma diferenciação na contagem de cliques dela em específico.
Nesse artigo você consegue saber mais sobre a forma de medir URLs canônicas.
Como aprender mais sobre o GSC e o GA
O Daniel e a Cherry (time de Search do Google) têm uma série de vídeos no YouTube para você aprender mais sobre as duas ferramentas, que você pode conferir acessando o link: goo.gle/gsc-ga
Google Trends
O Google Trends é uma ferramenta essencial para profissionais de SEO e marketing. Tivemos 2 especialistas falando sobre o assunto: Omri Weisman, engenheiro do time de Trends, e o próprio Daniel Waisberg, que voltou para falar sobre a ferramenta.
Como o Daniel destacou em sua palestra, o “Google Trends fornece uma amostra de buscas agregadas, anonimizadas e categorizadas”, permitindo uma análise mais precisa do comportamento dos usuários.
Vamos entender melhor como aproveitar a ferramenta ao máximo.
Como usar o Google Trends
O Daniel quis mostrar que o Google Trends pode ser melhor explorado por profissionais de SEO. Mapeei, com base na apresentação, 3 formas de você usar o Trends no seu dia a dia:
- Pensar em conteúdos relevantes: Utilizar o Trends para identificar assuntos em alta e criar conteúdos alinhados com as tendências de busca.
- Identificar padrões nas buscas: Avaliar o comportamento das buscas ao longo do tempo para antecipar demandas sazonais e picos de interesse.
- Integrar à outras áreas: Sair da caixinha de SEO e integrar as tendências do Trends à estratégia de marketing digital, criando conteúdos para social media e outras plataformas.
Entendendo melhor os dados do Trends
Outro ponto que foi abordado é a análise dos dados do Google Trends, como por exemplo, aquela nota atribuída ao interesse ao longo do tempo:
No print abaixo, por exemplo, vemos que nos últimos 12 meses, Recife teve seu pico de alta em Outubro de 2024. Se olharmos numa visão de 5 anos, no entanto, o pico para o termo “Recife” é em 2021, tornando o pico de 2024 menos relevante no cenário macro.
E por que isso acontece?
Porque o Trends leva em consideração 2 fatores para analisar a relevância desse termo: o histórico de buscas e o % de buscas feitas sobre esse termo em relação a todas as buscas feitas naquela região, naquele período.
Quando você vê um gráfico no Trends ao longo dos anos, ele não significa necessariamente que o termo está subindo ou descendo em relação aos anos anteriores, mas sim em relação ao volume total de buscas no período analisado.
O número 100 em um gráfico do Trends representa o pico de interesse relativo dentro do período selecionado, enquanto números menores indicam uma proporção do interesse máximo.
Além disso, sobre as tendências, a velocidade de atualização do Google Trends é de 3 minutos. Então, num período de 3 minutos ele consegue atualizar o que pode ser um tópico potencialmente relevante, tendo uma velocidade de atualização muito alta.
Por último, se você quer saber mais sobre o Google Trends, eles também deixaram um material bem legal: goo.gle/gtt
Portais de notícias
Para fechar o dia, a Fabianna Zanni, head de parcerias de notícias no Google, abordou alguns assuntos sobre o ecossistema de notícias do Google, as parcerias com portais de notícias e o impacto do trabalho jornalístico nas buscas.
História do Google com portais de notícias
Desde 2002, com a fundação do Google Notícias, o Google vem desenvolvendo mais produtos e iniciativas para impulsionar os portais que fazem um trabalho sério – desde os maiores, que vemos com mais frequência, até os menores e mais nichados.
Os pontos altos dessa história, destacados pela Fabiana, são:
- 1998: Fundação do Google
- 2002: Criação do Google Notícias
- 2008: Aquisição do DoubleClick
- 2013: Lançamento do Google Play
- 2015: Criação das equipes da Digital News Initiative e do News Lab
- 2016: Lançamento dos rótulos de verificação de fatos para consumidores
- 2017: Piloto “Assine com o Google”
- 2018: Lançamento da Google News Initiative, programas de licenciamento e produtos focados em notícias
- 2024: Continuação da Google News Initiative
Ferramentas desenvolvidas para ajudar os jornalistas
Entre algumas ferramentas e produtos do Google que ela trouxe, separei 2 que quero testar – não conhecia e muito me interessaram – e vou compartilhar pra você testar por aí também:
Google PinPoint
O Google PinPoint é uma ferramenta voltada para jornalistas e pesquisadores, permitindo a análise de grandes volumes de documentos e facilitando a descoberta de padrões e informações relevantes. Ele pode ser utilizado para investigações jornalísticas, pesquisas acadêmicas e até para análise de tendências de mercado.
No próprio site do Google News Initiative tem 4 aulinhas para você entender melhor sobre o uso da ferramenta: https://newsinitiative.withgoogle.com/pt-br/resources/products/pinpoint/
Explorador de checagem de fatos
O Explorador de Checagem de Fatos é uma ferramenta que reúne verificações de fatos publicadas por organizações confiáveis ao redor do mundo. Ele pode ser usado para validar informações, acompanhar desmentidos de notícias falsas e garantir maior transparência na distribuição de conteúdos.
O link para você explorar a ferramenta é esse aqui: https://toolbox.google.com/factcheck/explorer/search/list:recent;hl=pt?authuser=0
Considerações finais
O Google tá muito longe de acabar, SEO tá muito longe de morrer e vamos ouvir muito falar ainda sobre todo o impacto que a IA tá causando, mas o que fica de mensagem é que, enquanto o foco da sua empresa for seu cliente, dificilmente você estará indo contra o movimento.
Além disso, os eventos são muito mais sobre conexões que qualquer outra coisa <3 e, esse evento me conectou com várias pessoas incríveis, deixando um gostinho de quero mais! Foi muito especial conhecer e rever essa galera.
Ansiosa para os próximos, essa moda de evento no Nordeste precisa pegar pra ontem hehehe